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A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta sexta-feira (2) a reforma ministerial do governo, com eliminação de 8 das 39 pastas por meio de fusão e eliminação de ministérios, medidas de enxugamento da máquina administrativa e redução em 10% do próprio salário, do vice e dos ministros (de R$ 30.934,70 para R$ 27.841,23). No total, nove partidos controlam 23 ministérios – nos casos dos outros oito, os ministros não têm filiação partidária.

A mudança de ministros anunciada por Dilma Rousseff tem o objetivo imediato de afastar a ameaça de impeachment alimentada por manifestações de rua e adversários do governo. Ao abrir o Palácio do Planalto a seguidores do ex-presidente Lula e incorporar mais representantes do PMDB na equipe, ela se reforça no Congresso. Um fortalecimento obtido no mesmo instante em que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, uma peça-chave no impeachment, agoniza em praça pública.

A reforma ministerial anunciada pela presidente Dilma Rousseff reafirma o poder de seu antecessor e padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que emplacou um "confidente" como ministro da Casa Civil, disse o jornal americano New York Times.

A reforma ministerial anunciada pela presidente Dilma Rousseff reafirma o poder de seu antecessor e padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que emplacou um “confidente” como ministro da Casa Civil, disse o jornal americano New York Times.

Para o cientista político Antonio Lavareda, professor da Universidade Federal de Pernambuco, a reforma ministerial “talvez não sinalize exatamente o que se vê”. Embora ela tenha sido realizada com objetivo de fortalecer Dilma, ele diz acreditar que as mudanças evidenciam exatamente o contrário.

“Nessa reforma, só o PMDB ganhou e todo o resto perdeu, inclusive a presidente. O PMDB tem, ao que parece, uma estratégia de substituir a curto prazo Dilma na cadeira presidencial. Agora, é como se o PMDB começasse a governar antes da faixa presidencial”, analisa.
O professor vê um risco real de o principal “aliado” do governo petista deixar a aliança em novembro, quando o partido faz sua convenção. Se isso acontecer, diz, “acabou o governo Dilma”.

“Dilma está mais enfraquecida. Isso faz parte do jogo duplo do PMDB, porque o PMDB quer levar Michel Temer à Presidência e, para isso, está fazendo tudo para enfraquecer mais ainda a Dilma”, afirmou.

O NYT diz que Dilma é uma "líder cercada", e cita economistas que afirmam que as medidas resultarão apenas em "economias simbólicas", já que o déficit do Orçamento "inchou" em meio a uma grave crise econômica.

O NYT diz que Dilma é uma “líder cercada”, e cita economistas que afirmam que as medidas resultarão apenas em “economias simbólicas”, já que o déficit do Orçamento “inchou” em meio a uma grave crise econômica.

A reforma, no entanto, deverá dar tempo para que a presidente reconstrua seu poder, disse o texto, citando analistas políticos.
“Ao dar mais poder ao PMDB, Dilma tenta construir apoio no Congresso para a aprovação de cortes de gastos controversos defendidos pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy”.

Durante um jantar com líderes e dirigentes do PCdoB dias atrás, Dilma Rousseff foi confrontada com a ideia de demitir Levy. Um dos presentes descreveu a reação dela como “impassível”.

Os parlamentares têm sido pressionados há semanas por um forte lobby de servidores do Judiciário. Se cederem, o País terá um gasto extra de 25 bilhões de reais em quatro anos e de 10 bilhões anuais dali em diante. Segundo um estudo recente feito por um professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o Brasil é campeão de despesas com a Justiça, 1,3% do PIB. O segundo lugar está bem distante, a Venezuela (0,34%). A Alemanha gasta 0,32%, o Chile, 0,22%, os EUA, 0,14%.

Outra batalha dos governistas na economia será recriar a CPMF. Sem o tributo, o governo diz que o orçamento de 2016 não fecha. Após ser empossado, o novo ministro da Saúde, Marcelo Castro, um deputado do PMDB, defendeu a CPMF. O novo titular das Comunicações, André Figueiredo, líder do PDT na Câmara, também defendeu mais impostos, embora tenha preferido citar a taxação dos bancos, donos de lucros recordes num ano em que a economia brasileira encolherá de 2,5% a 3%.

GraficoMINISTÉRIOS DO PT
– Casa Civil: Jaques Wagner
– Comunicação Social: Edinho Silva
– Cultura: Juca Ferreira
– Desenvolvimento Agrário: Patrus Ananias
– Desenvolvimento Social: Tereza Campello
– Educação: Aloizio Mercadante
– Justiça: José Eduardo Cardozo
– Secretaria de Governo: Ricardo Berzoini
– Trabalho e Previdência: Miguel Rossetto

MINISTÉRIOS DO PMDB
– Agricultura e Pesca: Kátia Abreu
– Aviação Civil: Eliseu Padilha
– Ciência, Tecnologia e Inovação: Celso Pansera
– Minas e Energia: Eduardo Braga
– Portos: Helder Barbalho
– Saúde: Marcelo Castro
– Turismo: Henrique Eduardo Alves

MINISTÉRIO DO PTB
– Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior: Armando Monteiro

MINISTÉRIO DO PSD
– Cidades: Gilberto Kassab

MINISTÉRIO DO PDT
– Comunicações: André Figueiredo

MINISTÉRIO DO PCdoB
– Defesa: Aldo Rebelo

MINISTÉRIO DO PRB
– Esportes: George Hilton

MINISTÉRIO DO PP
– Integração Nacional: Gilberto Occhi

MINISTÉRIO DO PR
– Transportes: Antônio Carlos Rodrigues

SEM PARTIDO
– Advocacia Geral da União: Luís Inácio Adams
– Banco Central: Alexandre Tombini
– Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos: Nilma Lino Gomes
– Controladoria Geral da União: Valdir Simão
– Fazenda: Joaquim Levy
– Meio Ambiente: Izabella Teixeira
– Planejamento: Nelson Barbosa
= Relações Exteriores: Mauro Vieira

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Fontes: G1, BBCBrasil, Carta Capital